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![]() Minhas convicções musicais 1. A minha busca harmônica baseia-se sempre na íntima convicção consolidada com o tempo, de que é ainda possível descobrir novas possibilidades harmônicas independentes da técnica de 12 sons,da tonalidade e da consonância tal como as vemos tradicionalmente. Acredito que a escala tradicional cromática ainda não foi totalmente explorada e esgotada. É possível ainda descobrir meios diferentes e novos, além dos tradicionais, dos dodecafônicos e dos seriais, de ligar e religar as harmonias entre si. O resultado prático destas minhas buscas e convicções encontram-se principalmente nas minhas obras para orquestra, sobretudo em CONVERGENCIAS, MOSAICO, BIOSFERA, IN MEMORIAM e PASSACAGLIA. 2. Sempre busquei os meios mais simples para expressar minhas idéias e meu pensamento musical, convencido de que não é boa solução a de escrever propositada e deliberadamente uma música difícil, complexa, como um fim em si mesma. Assim como me parece sem sentido o regresso à tonalidade pura e simplesmente. O simples "retôrno ao passado" nunca me seduziu, convencido que sempre estive e estou, de que é necessário sem, analizar e identificar nas obras do passado as forças vitais e ainda hoje válidas para a criação musical em qualquer tempo e em qualquer estilo. 3. Ritmicamente, a regularidade de uma pulsação e os pontos de referência métricos, aliados à mais ampla liberdade rítmica, sempre me pareceram os dois elementos básicos do paradoxo criativo. Aqui, a formação do meu inconciente foi vivamente influenciada pelos ritmos afro-brasileiros da minha cidade natal, Recife, onde subsitem ainda hoje os ritmos fundamentais do Maracatu, Frevo, Caboclinhos, Cirandas e da Macumba. 4. No domínio da forma, busco o equilíbrio entre a unidade e a variedade, deixando que de certa maneira a própria natureza das idéias musicais forgem e provoquem sua própria organização formal. Para mim, FORMA é a necessidade de tornar claro e inteligível, organizado e coerente o pensamento musical. O material sonoro desenvolve-se normalmente na minha mente como um drama, um romance abstrato. 5. Procuro em minhas obras, como fim último, estabelecer o equilíbrio entre a expontaneidade e a lógica consciente, entre a economia e a riqueza do material, nunca deixando que o rigor, a concentração e a concisão prejudiquem a fluência, a expansão e a continuidade do material sonoro. Enfim, procuro a perfeita continuidade e inteligibilidade do discurso e do fluxo sonoro, sem abdicar jamais da audácia e da experimentação inovadora, como impulsos necessários mas não como fins em si mesmos. 6. Para mim, o compositor é uma esponja que absorve, durante as diferentes etapas de sua vida e do seu processo criador, as mais variadas influências. Nenhum compositor repetirá jamais as mesmas experiências auditivas de outros, daí resultando a formação de um estilo pessoal e peculiar em cada verdadeiro criador. Minha música é, assim, o resultado do meu subconciente, que armazenou e absorveu as mais variadas influências, selecionando-as e filtrando-as. 7. A maior lição que tive foi a de compreender finalmente as leis da grande forma dos grandes clássicos dos séc. XVIII e XIX, principalmente Haydn, Beethoven e Brahms. A música serial, apesar de seu riquíssimo aporte, rompeu com esta imensa tradição de maneira radical, ao abolir o princípio básico da repetição, sem realmente trazer à música um substitutivo real. Por essa razão, as obras seriais mais significativas sempre foram aquelas apoiadas em textos, que ajudaram na organização formal das obras. Na música essencialmente pura e abstrata, o serialismo pecou pela falta de organicidade e de coerência na criação da grande forma. 8. No século XX os compositores que mais me influenciaram foram Debussdy, Bartok e Lutoslawski. São estes que foram capazes de inovar a linguagem musical sem romperem necessariamente com a mais elevada tradição. 9. Muitos compositores jovens e não necessariamente jovens de hoje, preocupados de produzirem uma obra atual a todo custo, fixaram-se exclusivamente em problemas técnicos que tolheram sua imaginação criadora. Minha música vai buscar sua inspiração e impulso na fonte do meu subconciente, através de alusões, citações, impressões do passado e do presente que me seduziram ao longo do tempo e que de maneira quase sonambulística afloram ao meu conciente e me incitam a criar. |
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Rio de Janeiro - Brasil - 2005 |