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Marlos Nobre, por Luiz Heitor Corrêa de Azevedo
Depois
dos primeiros sucessos, com o "Concertino para piano e orquestra
de cordas", de 1959, que, apresentado num concurso de composição,
no Rio de Janeiro, despertou o interesse dos melhores críticos
pelo jovem autor, e a "Nazarethiana", para piano, de 1960,
premiada num outro concurso, em sua cidade natal, Recife, onde nasceu
em 1939, Marlos Nobre se impõe, definitivamente, em 1964, com
"Ukrinmakrinkrin", para voz, instrumentos de sopro e piano,
escrita em Buenos Aires, sob a influência de Alberto Ginastera.
Apresentada na Tribuna Internacional dos Compositores, da UNESCO, em
1966, essa partitura abriu as portas do cenário internacional
ao nosso compositor. Suas obras passaram a ser executadas e editadas
no estrangeiro e Marlos Nobre teve oportunidades freqüentes de
viajar, interpretando ou participando da interpretação
das mesmas. Graças a ele o Conselho Internacional de Música da UNESCO poude ver reorganizado e em condições de funcionamento o seu problemático Comitê Nacional, no Brasil. Em 1977, em Bratislava, Marlos Nobre foi eleito membro do Comitê Executivo, órgão supremo de direção do Conselho Internacional de Música. No Brasil foi ele o primeiro Diretor e o organizador do Instituto Nacional de Música, um dos órgãos que integram a Fundação Nacional de Artes, criada, em 1976, pelo governo brasileiro. Uma exaustiva programação, destinada a encorajar os artistas e a favorecer a cultura popular, foi energicamente posta em execução, salientando-se, pela sua originalidade e clara visão das necessidades atuais, o projeto chamado "Espiral", destinado a despertar o interesse dos jovens pelo estudo dos instrumentos de arco, ameaçados de desafeto, no Brasil, como em muitos outros países, que não conseguem formar o número de instrumentistas requerido pelas suas orquestras. Esse é Marlos Nobre: criador e homem de ação; intérprete e organizador; eventualmente, também, capaz de tomar da pena e escrever ensaios ou de usar da palavra, em público, para defender suas idéias e contribuir para a difusão dos conhecimentos musicais. Como criador, em toda a sua obra, nota-se a marca inconfundível de uma originalidade "que é", e não que "quer ser"; um profundo equilíbrio, uma escolha consciente dos caminhos a seguir e dos meios a empregar; desprezo total pelo sensacionalismo, pela novidade que se quer chocante e provocante; sólido domínio da matéria musical. Há outros meios, hoje em dia, de chamar a atenção. Marlos Nobre nunca os empregou. Sua calma confiança nele mesmo e no acerto da sua obra é inabalável. E por isso, ao entar na quinta década de sua existência, a que marca, sem dúvida, o apogeu da vida de um homem e de um artista, ele pode, com justa ufania, considerar o catálogo das suas obras. Fez e impôs o que quis. Houve evolução, seguramente; e haverá ainda, é certo, no que ainda virá a escrever. Mas é um caminho, o seu caminho, que Marlos Nobre prossegue, pausadamente, sem precipitação. E sem se perder nos meandros onde sereias ou demônios espreitam, para desgraça-los, os menos seguros, capazes de trocar a alma pela ilusão do sucesso. Luiz Heitor
Corrêa de Azevedo |